Paragem na chuva

Explica-me os pássaros.
Essa tal fúria que te dói,
Assola, córroi e invade.
O turbilhão de humores
Na mareta sanguínea,
Dos dias claros. Amanhã?
Pergunto, desconhecendo
Teus sabores e teus desejos.
Seria mais fácil dizer:
Eu sei que tu sabes mas eu?
Não sei mais nada desses tais
Dias da loucura que dominas,
A magia ancestral que
Propagas no teu pequeno
Quarto, nessa rua suja
Que sempre tento esquecer
Mas que me reaparece
Na chuva ao voltar para
Casa.